Onde estão os nossos exemplos de liderança?

Por: Anabela Marcos

Os olhos do mundo na última semana, estiveram voltados para a transição de poder na presidência dos Estados Unidos, com comentários voltados para a despedida com aplausos de um líder que, durante oito anos encantou pessoas ao redor do mundo.

Sem a intenção de levantar questões sobre as políticas aplicadas pelos EUA, há lições importantes sobre liderança que não podemos deixar de considerar. Barack Obama ocupou uma posição que foi muito além da de um presidente de uma nação, sendo considerado um dos homens mais influentes do mundo e um líder e respeitado em várias esferas do globo, somando inclusive nas suas conquistas o prêmio Nobel da Paz em 2009.

Carismático, espontânio, excelente comunicador, inclusivo, conciliador são algumas das características que evidenciam o seu reconhecimento, e qualquer líder de qualquer tipo de organização pode aprender bastante com os exemplos deixados por ele.

Obviamente que se tratando do lugar que ocupou, e para chegar onde chegou, existe toda uma base de suporte envolvendo equipa, família, estratégias deliniadas pelos melhores especialistas de diversas áreas, assim como nas oganizações de grande sucesso pelo mundo, mas é inegável que o modo como os seus líderes conduzem as suas acções tem grande influência nas realizações de uma organização, seja um Estado ou uma empresa.

A verdade é que o mundo corporativo deveria aprender bastante com as lições de Obama, e acho que todos que almejam  chegar ou que já ocupam um cargo de Direcção deveriam se questionar: Que tipo de líder quero ser?

Ser um bom motivador não é tarefa fácil. Há pessoas que são líderes natos e lidam com este processo de forma bastante natural. Outras não. No mundo dos negócios é bem comum que, pessoas muito hábeis tecnicamente, passem a liderar pessoas e nem sempre são sem sucedidos nesta missão.

Infelizmente, os exemplos que temos recebido por meio de relatos de profissionais de diversos  níveis, que interagem conosco no dia dia de trabalho, principalmente àqueles que buscam mudanças, não são animadores quanto a postura dos nossos “chefes” em Angola. E podemos apontar que, de acordo com o levantamento que fazemos, a fraca liderança tem sido das principais responsáveis no processo de decisão sobre mudança de emprego. Por outro lado, quando perguntamos sobre pessoas locais, dentro do seu convívio, que podem ser apontados como exemplo de liderança, fazem-se vários minutos de silêncio, e muito raramente conseguem citar com firmeza alguém que tenha marcado as suas trajectórias como modelos a seguir.

Testemunhamos egos volumosos, disputas de poder, fraca passagem de conhecimento, decisões subjectivas, bloqueio de oportunidades por insegurança, ausência de comunicação, falta de transparência e governança debilitada.

Como podemos então preencher esta lacuna e colocar-nos  no nosso mapa como figuras que podem trazer inspração para gerações futuras, e para que se reflita  no resultado, na motivação, na entrega da equipe e em tudo que está ligado directamente aos objectivos propostos e o nosso desenvolvimento em geral?

Fica a pergunta para repensarmos o nosso papel social, pois resultados das nossas acções precisam de fazer sentir principalmente nas pessoas, como recursos que necessariamente são os principais agentes para fomentar desenvolvimento, seja das nossas organizações em particular ou no país como um todo.

 



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