Integração: Romper barreiras e reinventar caminhos para Angolanização.

 

Por: Anabela N. Marcos

Na discussão sobre os desafios que perpassam o trabalho das empresas que actuam em Angola, um dos tópicos transversal é a carência de mão de obra qualificada para suprir a demanda que o mercado impõe.

Este tópico está inserido na agenda dos gestores de Recursos Humanos, que têm feito malabarismos e adaptações de diferentes níveis, para garantir que os resultados desenhados nos planos estratégicos das empresas não sejam obstruídos por falta de quadros: bolsas de estudo, repatriação de angolanos, contratação de expatriados, apoio financeiro às instituições de ensino, etc.

Apesar de todos estes esforços, deparam-se com factores que conferem ainda mais dificuldades. O mercado competitivo é uma delas. No balanço entre a demanda do mercado e o número de pessoas que despontam das instituições de ensino todos os anos, a guerra por talentos é declarada. Aqui, nos vemos diante de uma busca de estratégias de atração e retenção de talentos, que precisa ir além do foco nos pacotes remuneratórios e o foco do trabalho.

Porém, mesmo quando há sucesso no processo de atração des talentos, uma próxima barreira a romper é o desencontro entre as habilidades profissionais demandadas pelas empresas e o perfil de estudantes que se formam nas nossas instituições educacionais. Esta lacuna obriga um tempo adicional no processo de integração dos seus funcionários recém-formados e processos de adaptação que envolvem etapas que poderiam ser banidas se os currículos estivessem adaptados as demandas do mercado.

Para que haja mudanças neste cenário há necessidade urgente de uma integração das empresas com as instituições escolares que permitam um auxílio na modulação e construção de currículos que acompanhem a realidade de trabalho e os avanços tecnológicos, e que possibilitem a inserção dos estudantes à vivência prática da realidade laboral, contribuindo para que a formação acadêmica mova-se no ritmo da realidade de trabalho e assim suprir lacunas que hoje se fazem presentes. Deste modo poderemos potencializar o processo de formação e desenvolvimento e reduzir o tempo de adaptação profissional dos jovens nas empresas. Este processo não encerra a guerra por talentos, mas contribui para a melhoria da “safra” pela qual se compete.

Embora cada empresa tem estratégias singulares, só será possível sentir mudanças a partir de ações conjuntas. Isto é parte de um processo de busca de paradigmas alternativos, com vista a produzir uma evolução dentro do debate em torno da carência de mão-de-obra qualificada, em estratégias de longo prazo, apesar do imediatismo presente no modelo de produção. Isso como parte da agenda de contribuições para angolanização que ambiciona resultados de interesse conjuntural ara o país.

 

 



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